No meu quarto a decorações passava por um processo de transição onde barbies eram deixadas de lado dando espaço para maquiagens, pilhas de CDs, e revistas de moda. O som permanecia numa altura surreal, assim como a minha pessoa equilibrada na sandália plataforma. Um quarto lotado de amigas alisando franjas, falando de forma descontrolada, emprestando blusas, e sutiens de enchimento.
Aahhh, a adolescência... O período em que ser chata é quase que um requisito obrigatório, onde seus pais te causam vergonha pelo simples motivo de serem seus pais, fase das espinhas, dos telefonemas com horas de durações. O primeiro beijo, o primeiro regime, e sim, o primeiro porre.
É na adolescência que a gente aprende o problema de se misturar cerveja com vodka, ou qual a reação da bebida em um estomago vazio, e o mais importante de tudo, a gente aprende, e do pior jeito, a potencia de três tequilas na sequência. E não é que a gente aprende de vez, não, não, e tem todo o juramente do “eu nunca mais vou beber na vida”, mas isso é só uma questão de tempo...
Era sábado de madrugada. Eu e uma amiga, que no caso estava prestes a aprender a lição da tequila, andávamos até o quarto com certa dificuldade, já com as sandálias nas mãos. Deitar era o máximo, ainda que rodando mais que o ventilador de teto. Um pouco de vento na cara sempre melhora tudo, mas, por infelicidade da amiga de porre, a luz acabou, e com isso, o vento parou.
Eu sei que tanto você que está lendo isso, quanto eu que estou escrevendo, conseguimos imaginar a sensação do mal-estar, no exato momento em que o ventilador parou, e um calor abafado se instalou no quarto. Enjôo, transpiração, e muito, muito, medo daquilo, que nessas horas a gente não consegue nem pensar na palavra, quanto mais falar...
- - - Cá, acho que não estou muito bem...
- - O que foi amiga?
- - - Humm... Meio enjoada.
- - - Não vai vomitar aqui!
- - - Não fala essa palavra, ai.... ai....
- - - Onde você está indo?
- - - Onde você acha?
Deitada na cama eu pude ouvir o ruído. Hoje em dia eu não ajudo mais, mas a adolescência é o período que você dá mais importância para os amigos, e por isso, entrei no banheiro, e fiquei perto da janela, constatando que não era apenas na minha casa a falta de energia. Depois de muito passar mal, veio o desabafo...
- - - Ai Cá, eu sou muito idiota.
- - - Não fica assim amiga, todo mundo passa mal, é normal, eu também já fiz isso.
- - - Não, Cá, você não tá entendendo, eu sou muito idiota mesmo!
- - Amiga, pára, amanha você já está melhor...
- - - Não Camila, eu sou idiota por que eu não vi que a tampa da privada estava fechada...
Adolescência, a fase em que a gente é mesmo muito idiota.
